Sistema eleitoral

O sistema político da Croácia baseia-se no princípio da separação de poderes em legislativo, executivo e judicial. A Constituição estipula que o povo exerce o poder através da eleição dos seus representantes e da tomada de decisões diretas, sendo garantido o direito ao autogoverno local e regional. A Croácia é um dos poucos países que em apenas duas décadas implementou os modelos eleitorais maioritário e proporcional, bem como a combinação de ambos.

Nas primeiras eleições multipartidárias em 1990, os representantes foram eleitos através de um sistema maioritário a duas voltas. Nas eleições antecipadas em 1992 foi aplicado o modelo eleitoral combinado. As eleições antecipadas em 1995 também foram conduzidas de acordo com o sistema combinado, mas a proporção de mandatos maioritários e dos da lista foi alterada. Pela primeira vez, nestas eleições participaram cidadãos croatas que não residem na Croácia (a diáspora), tendo eleito 12 dos seus representantes numa unidade separada. Os representantes das minorias étnicas foram eleitos por uma maioria relativa de votos entre os candidatos individuais. As eleições de 2000 foram realizadas segundo o sistema eleitoral proporcional em 10 círculos eleitorais. Igualmente, de 1990 a 2000, foram realizados dois ciclos de eleições para a Câmara dos Condados do Parlamento (1993, 1997) de acordo com um sistema proporcional, em que cada condado constituía um círculo eleitoral com três mandatos, sendo os lugares distribuídos através do método d'Hondt.

Conforme a lei atual, os representantes para o parlamento unicameral (Sabor) são eleitos por um sistema eleitoral proporcional com possibilidade de voto preferencial. Em 10 círculos eleitorais elegem-se 14 representantes para cada um, 3 representantes no círculo eleitoral para a diáspora e 8 no círculo eleitoral para os membros das minorias étnicas. Os mandatos são distribuídos de acordo com o método d'Hondt, e o limiar eleitoral é de 5%.
Na República da Croácia realizam-se também as eleições presidenciais diretas a duas voltas. Se nenhum candidato obtiver a maioria dos votos na primeira volta, os dois candidatos mais votados na primeira volta concorrem na segunda volta. Do mesmo modo são realizadas eleições diretas para os cargos de presidentes de câmaras municipais e assembleias de condados. As eleições para o Parlamento Europeu realizaram-se pela primeira vez em abril de 2013.

Partidos políticos

Os primeiros partidos na Croácia foram estabelecidos em meados do século XIX, durante a Monarquia dos Habsburgos. Eram partidos de elite, como o Partido Popular, o Partido Unionista e o Partido de Direito, preocupando-se sobretudo com a questão do Estado e do estatuto jurídico da Croácia dentro da Monarquia. O primeiro partido político de massas foi o Partido Camponês Croata (HSS), resultante do Partido Camponês Popular Croata (HPSS), fundado em 1904 pelos irmãos Antun e Stjepan Radić. O Partido Camponês Croata manteve este estatuto na primeira metade do século XX, principalmente entre as duas guerras mundiais. Durante o regime socialista, de 1945 a 1990, apenas o Partido Comunista da Croácia (mais tarde Liga dos Comunistas da Croácia) operou como parte do partido jugoslavo. No clima da democratização do final da década de 80, a Liga dos Comunistas reformou-se no Partido das Mudanças Democráticas, depois no Partido Social-Democrata da Croácia (SDP). Surgiram também os primeiros partidos políticos da oposição, incluindo a União Democrática Croata (HDZ) e a Aliança Social Liberal Croata (HSLS). Nas primeiras eleições livres, em 1990, esta última participou como parte da Coligação do Acordo Popular multipartidária. O HDZ venceu estas eleições, tornando-se assim o partido dominante no período do estabelecimento do Estado croata independente e da ordem política democrática na década de 90. Hoje existem mais de 150 partidos políticos registados na Croácia, 20 dos quais são parlamentares.

O sistema partidário croata também é caracterizado por partidos que representam minorias étnicas, bem como por partidos regionais, que representam interesses de determinadas partes do país.